04-05-2019, 13:05
[noticia=http://www.zerozero.pt/news.php?id=249386]FLÁVIO PAIXÃO EM CONVERSA COM O ZEROZERO
«Dor grande quando, em 20 anos de futebol, não recebemos uma chamada do nosso país»
Flávio tem daqueles nomes que dizem tudo. Paixão. Na vida temos várias, Flávio encontrou uma desde cedo e nunca a perdeu. A paixão pelo futebol, a paixão pelo golo. Aos 34 anos, o avançado português vive, na Polónia, a melhor época da carreira. Os números dizem isso e as conquistas também. Na quinta-feira venceu a Taça da Polónia e se o trajeto interessante, o número de golos e a época já eram motivos suficientes para receber uma chamada do zerozero, a conquista de uma Taça que o próprio levantou foi a desculpa perfeita.
Na chamada com Flávio Paixão viajamos por vários países, tal como o avançado. Fizemos as perguntas e obtivemos longas respostas. Flávio não foi de finalização simples, gostou de dar aquele toque refinado, levou-nos até à Polónia, Escócia, Irão, trouxe-nos a Portugal, mas não ficou. Não por vontade de ir embora, mas por falta de chamadas. Já lá vamos. Comecemos pelo presente. A época já é inesquecível e pode sê-lo ainda mais, não é, Flávio?
A melhor época atestada nas lágrimas do trabalho «É a melhor época da minha carreira, com o título alcançado ontem [quinta-feira]. Ganhámos a Taça, tenho 15 golos, estamos na luta para sermos campeões e podemos esperar fazer coisas ainda melhores. Tem sido uma época fantástica, um caminho longo. Começou com uma equipa nova, saíram muitas pessoas, jogadores, construímos uma equipa nova, com ambição, fome de ganhar e trazer sucesso para a equipa. O objetivo era ganhar a Taça. A nível pessoal e para o clube é um feito extraordinário. Depois de 36 anos de o Lechia não vencer nenhuma Taça voltámos a ganhar e estamos muito felizes. Para mim, desde que cheguei à Polónia sempre foi ambição ganhar algo grande. Consegui o meu primeiro troféu e olho com outros olhos para outras coisas. Falta a Liga, a Supertaça e continuamos na luta», começou por nos dizer.
«Vieram jogadores que aportaram ambição ao clube, o que faltava. Veio também um treinador com ambição, com disciplina, respeito pelo trabalho e motivação pelo trabalho, o que motiva toda a equipa. 90 por cento de uma equipa é o ambiente dentro de um balneário e este ano o ambiente é fantástico e isso reflete-se em campo. Quando temos 30-35 pessoas a remar para o mesmo lado as coisas tornam-se mais fáceis. Os resultados estão à vista, continuamos na luta pelo título [n.d.r: a um ponto do líder] e queremos ainda mais. As mudanças foram muito boas e para mim, logo no primeiro ano como capitão, nada melhor do que uma Taça da Polónia. É um ano fantástico para mim e para a equipa», concretizou.
O discurso ambicioso e trabalhador sentiu-se logo nas primeiras palavras, tal como a emoção pela conquista bem fresca na memória. Emoção que ficou espelhada nas lágrimas após o apito final da partida com o Jagiellonia, que teve minutos quentes, com Flávio Paixão a ter um golo anulado perto do fim, ainda com a partida em 0x0.
«Ainda não chegámos a perceber como é que o golo foi anulado. Quando celebras um golo e do nada é anulado cabe à equipa saber reagir a esse percalço. Não é fácil reagir da melhor maneira e creio que a nossa reação a esse golo anulado foi fantástica. Passados seis minutos marcámos e fico muito feliz pela assistência. É o culminar de 10 meses de trabalho. As lágrimas e emoções no final do jogo passam por isso», explicou.
«As pessoas não sabem o que passamos no dia-a-dia, nos treinos, o que fazemos. As pessoas só olham para os treinos de 70 minutos, os jogos de 90 minutos, não olham para mais nada e não sabem o que há por trás do sucesso. Chega ao momento da vitória e todas essas emoções, o trabalhar arduamente todos os dias, o acreditar sempre com o objetivo e quando chega o dia as emoções vêm ao de fora. Fico feliz por ter sido o primeiro grande troféu. Estamos a passar um ano muito bom, tivemos alguns percalços a meio da época e conseguimos superar. Não é fácil chegarmos onde chegámos. Na semana anterior aconteceram coisas que podiam decidir o título, que nos custou a aguentar. São coisas que não se percebem no futebol, mas temos de lidar com isso e ter força para resolver as situações. Fomos jogar a Taça, é um dia para ganhar, levantar a Taça e foi isso que fizemos, com um ambiente fantástico de todos os adeptos do Lechia. Foi um dia fantástico, com o Steven Vitória e o João ao meu lado, como portugueses que somos, é fantástico», completou.
Três épocas e meias bastaram para Flávio Paixão ficar na história do Lechia Gdansk. Esta época, o português é capitão de equipa e já se tornou no melhor marcador da história do clube, com 43 golos. Tudo isto aos 35 anos. Como é possível?
«O conseguir vem do trabalho diário. Trabalhar a cem por cento todos os dias, todos os treinos, cuidar de mim quando saio do treino, ser profissional a toda a hora. Ter na mente o grande objetivo. A mente comanda a vida e se a mentalidade for vencedora creio que o caminho só pode ser de sucesso. Passa por aí, por acreditar em ti, nas pessoas com quem trabalhas, ir para o treino e dar tudo, todos os dias. Seja um segundo, um minuto, dois meses, três meses. Trabalhar ao máximo, não só dentro das quatro linhas mas também fora delas. É sonhar o mais alto possível e as coisas acontecem.»
![[Imagem: 569040_ori_.jpg]](http://www.zerozero.pt/img/geral/569040_ori_.jpg)
Reencontros improváveis e a falta de chamadas
Se conhece o Flávio, conhece o Marco. Os irmãos Paixão espalharam muito futebol e golos por onde passaram. Os caminhos dos dois foram muitas vezes os mesmos, mas Marco Paixão joga (e marca, claro) no futebol turco depois de ter decidido deixar a Polónia por problemas de adaptação. Problemas que Flávio Paixão não vai encontrando na cidade de Gdansk.
«Cada um tem a sua vida, a sua visão, cada um olha para a vida e objetivos e cada um decide o caminho que quer seguir. O meu irmão decidiu ir por esse caminho e o que eu espero é que seja muito feliz. Desejo todo o sucesso. Seja qual for o caminho, eu vou sempre apoiar. Tenho uma visão completamente diferente do que ele disse. Cada um tem a sua opinião, sinto-me bem aqui, tenho a praia ao meu lado, a minha namorada, que me dá um apoio extraordinário e tenho pessoas que me apoiam diariamente. Trabalho com objetivos, com a mesma ambição que tinha quando tinha 20 anos e quando as coisas estão a correr bem, te sentes feliz, estás numa cidade onde tens tudo o que precisas, não creio que a minha carreira passe por outro lado. Estou muito feliz aqui, está à vista o resultado. Passados quatro anos no clube conquistei a Taça da Polónia. Sinto-me bem aqui, tenho uma vida espetacular. Tenho a praia, como em Sesimbra e tenho tudo para ter muito sucesso. Cada um tem a sua vida e as suas ideias.»
ZZ: Voltaremos a ver um reencontro nos relvados?
«Não, não creio que eu e o meu irmão voltemos a jogar no mesmo clube.»
Esclarecido o futuro, falemos um pouco do passado. Com um currículo de luxo no que a golos diz respeito, estranha-se que Flávio Paixão nunca tenha tido uma oportunidade nos escalões profissionais em Portugal e quisemos perceber os motivos para tal.
«Essa pergunta é difícil de responder. É uma dor grande quando, em mais de 20 anos de futebol, não recebemos uma chamada do nosso país para jogar em Portugal. É incrível como, depois de tanto sucesso que temos tido ao longo da carreira, não termos recebido sequer um telefonema de ninguém. Fiz a minha carreira fora de Portugal, aos 22 anos comecei a jogar fora de Portugal, estou fora de casa, não tenho qualquer problema de o continuar a fazer, mas se surgir um dia a oportunidade de jogar no meu país seria um privilégio, mas nunca houve contacto de ninguém», lamentou, sem, no entanto, fazer disso um obstáculo para os próximos objetivos, recordando até um avançado goleador com trajeto semelhante. [/noticia]
«Dor grande quando, em 20 anos de futebol, não recebemos uma chamada do nosso país»
Flávio tem daqueles nomes que dizem tudo. Paixão. Na vida temos várias, Flávio encontrou uma desde cedo e nunca a perdeu. A paixão pelo futebol, a paixão pelo golo. Aos 34 anos, o avançado português vive, na Polónia, a melhor época da carreira. Os números dizem isso e as conquistas também. Na quinta-feira venceu a Taça da Polónia e se o trajeto interessante, o número de golos e a época já eram motivos suficientes para receber uma chamada do zerozero, a conquista de uma Taça que o próprio levantou foi a desculpa perfeita.
Na chamada com Flávio Paixão viajamos por vários países, tal como o avançado. Fizemos as perguntas e obtivemos longas respostas. Flávio não foi de finalização simples, gostou de dar aquele toque refinado, levou-nos até à Polónia, Escócia, Irão, trouxe-nos a Portugal, mas não ficou. Não por vontade de ir embora, mas por falta de chamadas. Já lá vamos. Comecemos pelo presente. A época já é inesquecível e pode sê-lo ainda mais, não é, Flávio?
A melhor época atestada nas lágrimas do trabalho «É a melhor época da minha carreira, com o título alcançado ontem [quinta-feira]. Ganhámos a Taça, tenho 15 golos, estamos na luta para sermos campeões e podemos esperar fazer coisas ainda melhores. Tem sido uma época fantástica, um caminho longo. Começou com uma equipa nova, saíram muitas pessoas, jogadores, construímos uma equipa nova, com ambição, fome de ganhar e trazer sucesso para a equipa. O objetivo era ganhar a Taça. A nível pessoal e para o clube é um feito extraordinário. Depois de 36 anos de o Lechia não vencer nenhuma Taça voltámos a ganhar e estamos muito felizes. Para mim, desde que cheguei à Polónia sempre foi ambição ganhar algo grande. Consegui o meu primeiro troféu e olho com outros olhos para outras coisas. Falta a Liga, a Supertaça e continuamos na luta», começou por nos dizer.
«Vieram jogadores que aportaram ambição ao clube, o que faltava. Veio também um treinador com ambição, com disciplina, respeito pelo trabalho e motivação pelo trabalho, o que motiva toda a equipa. 90 por cento de uma equipa é o ambiente dentro de um balneário e este ano o ambiente é fantástico e isso reflete-se em campo. Quando temos 30-35 pessoas a remar para o mesmo lado as coisas tornam-se mais fáceis. Os resultados estão à vista, continuamos na luta pelo título [n.d.r: a um ponto do líder] e queremos ainda mais. As mudanças foram muito boas e para mim, logo no primeiro ano como capitão, nada melhor do que uma Taça da Polónia. É um ano fantástico para mim e para a equipa», concretizou.
O discurso ambicioso e trabalhador sentiu-se logo nas primeiras palavras, tal como a emoção pela conquista bem fresca na memória. Emoção que ficou espelhada nas lágrimas após o apito final da partida com o Jagiellonia, que teve minutos quentes, com Flávio Paixão a ter um golo anulado perto do fim, ainda com a partida em 0x0.
«Ainda não chegámos a perceber como é que o golo foi anulado. Quando celebras um golo e do nada é anulado cabe à equipa saber reagir a esse percalço. Não é fácil reagir da melhor maneira e creio que a nossa reação a esse golo anulado foi fantástica. Passados seis minutos marcámos e fico muito feliz pela assistência. É o culminar de 10 meses de trabalho. As lágrimas e emoções no final do jogo passam por isso», explicou.
«As pessoas não sabem o que passamos no dia-a-dia, nos treinos, o que fazemos. As pessoas só olham para os treinos de 70 minutos, os jogos de 90 minutos, não olham para mais nada e não sabem o que há por trás do sucesso. Chega ao momento da vitória e todas essas emoções, o trabalhar arduamente todos os dias, o acreditar sempre com o objetivo e quando chega o dia as emoções vêm ao de fora. Fico feliz por ter sido o primeiro grande troféu. Estamos a passar um ano muito bom, tivemos alguns percalços a meio da época e conseguimos superar. Não é fácil chegarmos onde chegámos. Na semana anterior aconteceram coisas que podiam decidir o título, que nos custou a aguentar. São coisas que não se percebem no futebol, mas temos de lidar com isso e ter força para resolver as situações. Fomos jogar a Taça, é um dia para ganhar, levantar a Taça e foi isso que fizemos, com um ambiente fantástico de todos os adeptos do Lechia. Foi um dia fantástico, com o Steven Vitória e o João ao meu lado, como portugueses que somos, é fantástico», completou.
Três épocas e meias bastaram para Flávio Paixão ficar na história do Lechia Gdansk. Esta época, o português é capitão de equipa e já se tornou no melhor marcador da história do clube, com 43 golos. Tudo isto aos 35 anos. Como é possível?
«O conseguir vem do trabalho diário. Trabalhar a cem por cento todos os dias, todos os treinos, cuidar de mim quando saio do treino, ser profissional a toda a hora. Ter na mente o grande objetivo. A mente comanda a vida e se a mentalidade for vencedora creio que o caminho só pode ser de sucesso. Passa por aí, por acreditar em ti, nas pessoas com quem trabalhas, ir para o treino e dar tudo, todos os dias. Seja um segundo, um minuto, dois meses, três meses. Trabalhar ao máximo, não só dentro das quatro linhas mas também fora delas. É sonhar o mais alto possível e as coisas acontecem.»
![[Imagem: 569040_ori_.jpg]](http://www.zerozero.pt/img/geral/569040_ori_.jpg)
Reencontros improváveis e a falta de chamadas
Se conhece o Flávio, conhece o Marco. Os irmãos Paixão espalharam muito futebol e golos por onde passaram. Os caminhos dos dois foram muitas vezes os mesmos, mas Marco Paixão joga (e marca, claro) no futebol turco depois de ter decidido deixar a Polónia por problemas de adaptação. Problemas que Flávio Paixão não vai encontrando na cidade de Gdansk.
«Cada um tem a sua vida, a sua visão, cada um olha para a vida e objetivos e cada um decide o caminho que quer seguir. O meu irmão decidiu ir por esse caminho e o que eu espero é que seja muito feliz. Desejo todo o sucesso. Seja qual for o caminho, eu vou sempre apoiar. Tenho uma visão completamente diferente do que ele disse. Cada um tem a sua opinião, sinto-me bem aqui, tenho a praia ao meu lado, a minha namorada, que me dá um apoio extraordinário e tenho pessoas que me apoiam diariamente. Trabalho com objetivos, com a mesma ambição que tinha quando tinha 20 anos e quando as coisas estão a correr bem, te sentes feliz, estás numa cidade onde tens tudo o que precisas, não creio que a minha carreira passe por outro lado. Estou muito feliz aqui, está à vista o resultado. Passados quatro anos no clube conquistei a Taça da Polónia. Sinto-me bem aqui, tenho uma vida espetacular. Tenho a praia, como em Sesimbra e tenho tudo para ter muito sucesso. Cada um tem a sua vida e as suas ideias.»
ZZ: Voltaremos a ver um reencontro nos relvados?
«Não, não creio que eu e o meu irmão voltemos a jogar no mesmo clube.»
Esclarecido o futuro, falemos um pouco do passado. Com um currículo de luxo no que a golos diz respeito, estranha-se que Flávio Paixão nunca tenha tido uma oportunidade nos escalões profissionais em Portugal e quisemos perceber os motivos para tal.
«Essa pergunta é difícil de responder. É uma dor grande quando, em mais de 20 anos de futebol, não recebemos uma chamada do nosso país para jogar em Portugal. É incrível como, depois de tanto sucesso que temos tido ao longo da carreira, não termos recebido sequer um telefonema de ninguém. Fiz a minha carreira fora de Portugal, aos 22 anos comecei a jogar fora de Portugal, estou fora de casa, não tenho qualquer problema de o continuar a fazer, mas se surgir um dia a oportunidade de jogar no meu país seria um privilégio, mas nunca houve contacto de ninguém», lamentou, sem, no entanto, fazer disso um obstáculo para os próximos objetivos, recordando até um avançado goleador com trajeto semelhante. [/noticia]
"Azul, branca, indomável, imortal, como não pôr no Porto uma esperança se "daqui houve nome Portugal"?"
