15-04-2013, 20:04
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Sonic Youth | Daydream Nation [1988]
![[Imagem: sonicyouthdaydreamnatio.jpg]](http://midnightpunk.files.wordpress.com/2012/08/sonicyouthdaydreamnatio.jpg)
Hoje é dia de mais uma estreia no Primavera Sound. E uma estreia que já devia ter acontecido há muito tempo. Tratam-se de uns dos imperadores dos primeiros sons mais alternativos e experimentais que a história da música conheceu. São uns dos pais do Indie, os grandes Sonic Youth.
Nascidos da cena underground nova-iorquina que deu ao mundo os Velvet Underground (que abriram as portas a esta rubrica aqui no FMPT), um grupo de três homens e uma mulher (tal como acontecia na banda de Lou Reed) formava uma das bandas mais influentes dos anos 80, cujo som ainda vê uma continuidade bem definida em grandes bandas dos anos 90, como os Nirvana, Pavement, Dinosaur Jr. ou My Bloody Valentine, ou mesmo em bandas actuais, mais do panorama noise, como Yo La Tengo, Bloc Party, Mogwai, Deerhunter, ou Japandroids. E muito do som destas bandas foi "beber" a Daydream Nation, magnum-opus dos Sonic Youth, lançado no ano de 1988, ano que também deu ao mundo Surfer Rosa dos "irmãos" Pixies e Viva Hate de Morrissey, já do outro lado do Atlântico.
Com uma sonoridade menos No-Wave que os seus antecessores, Sister e EVOL, e marcando uma passagem da banda de um rock completamente noisy e esquizofrénico (ouvir "Schizophrenia") para um rock ligeiramente mais convencional e audível, Daydream Nation foi um caso absoluto de um clássico instantâneo. As críticas positivas choviam e o cada vez maior reconhecimento ganhava contornos inimagináveis para os hoje separados Sonic Youth. Malhas como "Silver Rocket" e "The Sprawl" abriam caminho ao que seria o Grunge, "'Cross The Breeze" dava os primeiros sinais do que poderia ser o Pós-Rock (quem conhece os portugueses Linda Martini certamente verá nesta faixa traços comuns) e, por fim, "Total Trash" (Strokes em 1988?) ou a icónica "Teen Age Riot", com o seu riff inconfundível, davam origem a um novo Rock Alternativo, ainda hoje seguido pelos irlandeses Los Campesinos!, por exemplo (ouvir "You! Me! Dancing!" e ouvir as semelhanças na guitarra principal) ou mesmo pelos mais mainstream Interpol.
Thurston Moore (guitarra e voz) e Kim Gordon (baixo e voz), um casal hoje separado, juntamente com Lee Ranaldo (guitarra) e Steve Shelley (percussão e produção) conseguiam, então, criar uma das obras-primas do século XX. Um álbum violentíssimo do início ao-fim. A malhar ininterruptamente e que é bem capaz de vos deixar os ouvidos num estado pouco recomendável. Mas que também vos deixa o cérebro como se tivessem acabado de tomar drogas, lá isso deixa também. (Nunca tomei drogas, mas suponho que o efeito seja parecido). Poucas palavras há, na verdade, para descrever o som de Daydream Nation. Talvez "do caralho" chegue. Cumprimentos.
Análise individual às faixas: “Teen Age Riot”, e temos aqui um início maravilhoso. E transforma-se a meio. Muito bom. Melhor maneira de iniciar o álbum, impossível. “Silver Rocket” e já nos é presenteado um início mais duro. Uma guitarra feroz acompanha-nos toda a música, diferente da anterior, que é mais acústica. Brilhante na mesma. “The Sprawl” e ouvimos uns random’s “fuck you”. Uma guitarra a fazer lembrar punk. Ainda damos por nós a ouvir esta faixa. Instrumental magnífica. Isto é muito frita miolhos! “'Cross The Breeze” e mais uma música pra fritar miolhos. “Eric’s Trip” e mais uma música mindfucked. Estamos a ficar modificados. Chegamos a “Total Trash”, e já muda de figura. The Strokes e Lou Reed, bem presentes nesta música. Mas depois no fim, good ol’ Sonic Youth. “Hey Joni” e, bem, pelo menos não dá dores de cabeça ao Mingos. Uma malha de rock bem conseguida. “Providence” e precisamos de providência (não.) Uma música soft! Piano calmo e tal, voz de um atendedor de chamada, nice. “Candle” e continuamos o soft. Ah, como é bom ouvir sons reconhecíveis. “Rain King” e mais noise, noise, noise. “Kissability” e sim, das melhores músicas do álbum para o Mingos. Muito bom! “Trilogy” é uma malha de 14 minutos que marca a continuidade do sentimento de raiva em Daydream Nation. Um álbum que começa e acaba bem, mas é completamente marado dos cornos.
Nota para o Mingos: 8,9
Nota para o Sobrado: 10
Nota Média: 9,5
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When the snows fall and the white winds blow, the lone wolf dies but the pack survives.
