medium.com Escreveu:Por que a Romênia merece estar muito abaixo de seu 7º lugar no Ranking da FIFA
Este é mais um desabafo do que um texto que interesse a alguém, mas venha comigo se quiser saber um pouco sobre o futebol romeno (que deverá estar na Eurocopa 2016). E o Ranking da FIFA é só pretexto para tal desabafo, não é o que realmente importa.
Claro, é muito fácil entender pelos fatores mais primários os motivos pelos quais a seleção romena masculina de futebol jamais mereceria neste momento ser considerada a 7ª seleção do mundo de acordo com o Ranking da FIFA: uma seleção que não se classifica pra uma Copa do Mundo desde 1998, que não se classifica para o uma Eurocopa desde 2008, jogadores que não têm destaque algum entre a elite do futebol mundial. E o próprio Ranking da FIFA tem critérios extremamente falhos. Os mesmos critérios que deixam a Romênia em 7º deixam o País de Gales em 9º, mas aqui vou tratar do futebol romeno, que é o que eu tenho mais acompanhado e estudado nos últimos anos além do brasileiro.
Este texto foi publicado um dia depois de a Romênia, vice-líder do Grupo F das eliminatórias para a Euro 2016, ter empatado na Arena Nationala em 0x0 com a Grécia, lanterna do grupo que vive uma crise tremenda, já está fora da briga pela classificação e que ainda não venceu. Esta partida foi de doer os olhos. Dois times muito ruins, muitos passes errados, criação de jogadas pobre, finalizações ridículas.
Abaixo, listo alguns fatores que tornam a seleção romena atual muito pior do que o rótulo bizarro do Ranking da FIFA reproduz.
Qual a resposta para alavancar uma seleção? Para isto, a FRF chamou Anghel Iordanescu, um técnico que não trabalha há oito anos. Técnico aposentado em atividade: Anghel Iordanescu foi um jogador muito bom, esteve à frente da Romênia nos principais desempenhos, como a chegada às quartas-de-final da Copa de 1994 e às oitavas da Copa de 1998. No Século XXI, treinou Al Ain, seleção romena (2002–04) Al Ittihad e Al Ain. Deixou a profissão em 2006 e só retornou em outubro do ano passado, após a queda de Victor Piturca. Voltou apenas pelo nome e pela reputação construída há mais de 15 anos através de uma gestão de Federação que se dizia como renovadora nas eleições do ano passado.
Comissão técnica sem experiência: os principais homens de confiança de Iordanescu na comissão técnica são Daniel Isaila (ex-volante que é técnico desde 2007 de times médios da Romênia) e Viorel Moldovan, ex-grande atacante com experiência mínima além da de jogador.
Abismo na produção de jogadores: Entre a geração que fez sucesso nos anos 90 e os tempos atuais, surgiram alguns poucos nomes com potencial para fazer sucesso na primeira linha do futebol europeu ou ao menos criar uma seleção que assustasse as principais. Entre eles estão Adrian Mutu, Cristian Chivu (campeão da Champions League com a Internazionale em 2010) e Bogdan Lobont. Só agora, com a Academia de Fotbal Gheorghe Hagi, mais promessas estão aparecendo, e são para daqui a cinco anos, no mínimo.
Jogadores atuais de baixo nível: Se você nunca acompanhou o futebol romeno com um mínimo de profundidade, você provavelmente reconhecerá pouquíssimos nomes da última lista de convocados que está abaixo, se é que reconhecerá algum. São jogadores que vêm de uma geração de talentos muito fraca na Romênia, e que não conseguem ser protagonistas na Europa.
Não é que ninguém se salve e que sejam jogadores extremamente ruins e que não conseguiriam vaga nem na várzea. Há bons jogadores, mesmo na liga romena. Constantin Budescu e Denis Alibec, do Astra Giurgiu, são exemplos. O veterano Razvan Rat, do Rayo Vallecano, com 105 jogos pela seleção, jogou no Shakhtar por 10 anos. E são sí alguns. Mas não há jogadores tão bons quanto antes.
Alguns são muito bons talentos para os padrões da liga romena atual (que são bem baixos), mas deixam o país e dificilmente se firmam nas equipes titulares ou têm sequências convincentes. É o caso da zaga titular. Chiriches não se firmou no Tottenham e foi para o Napoli. Grigore foi bem pior: não se firmou no Toulouse e agora está no Catar.
Outros sequer despertaram interesse de quaisquer clubes das principais ligas europeias, e acabam parando em times médios e pequenos da Turquia, ou então no Oriente Médio. Perceba que apenas cinco jogadores estão em ligas que estão no mainstream, que estão entre as mais importantes. E ainda assim, são jogadores que não integram os maiores clubes destes mercados: Tatarusanu, Pantilimon (dois goleiros), Chiriches, Rat (que retorna à Espanha depois de muito tempo na Grécia e na Ucrânia) e Maxim. Andone não conta, está na segunda divisão da Espanha.
O camisa 10 da seleção romena é Alexandru Maxim, romeno que joga no Stuttgart e que já provou nos dois últimos anos que não merece ser convocado. Não pelo que joga no Stuttgart, porque não acompanho o time, mas pelo que ele faz na seleção, que é muito pouco. E não há muitas opções confiáveis para substituí-lo, nem na lista dos 23. Dá para arriscar, mas o fator “técnico aposentado em atividade” é um entrave.
O superestimado Maxim: o meia do Stuttgart pouco fez pela Nationala no último ano.
Uma ressalva importante: a única posição na qual talvez o time esteja muito bem, obrigado, seja o gol: Pantilimon é titular no Sunderland e tem ido bem no clube, após amargar a reserva de Hart no Manchester City por anos. Tatarusanu é finalmente titular na Fiorentina, e Silviu Lung Junior está entre os três melhores goleiros do campeonato nacional. A posição ainda tem Cristian Balgradean, que tem feito uma sequência fantástica no CS U Craiova.
A lista:
Ciprian Tătărușanu (Fiorentina)
Costel Pantilimon (Sunderland)
Silviu Lung jr. (Astra Giurgiu)
Alexandru Mățel (Dinamo Zagreb)
Vlad Chiricheș (Napoli)
Dragoș Grigore (Al Sailiya)
Cosmin Moți (Ludogorets)
Dorin Goian (Asteras)
Iasmin Latovlevici (Genclerbirligi-TUR)
Răzvan Raț (Rayo Vallecano-ESP)
Steliano Filip (Dinamo Bucareste-ROM)
Paul Papp (Steaua Bucareste-ROM)
Andrei Prepeliță (Ludogorets-BUL)
Mihai Pintilii (Hapoel Tel Aviv-ISR)
Claudiu Bumba (Hapoel Tel Aviv-ISR)
Ovidiu Hoban (Hapoel Be’er Sheva-ISR)
Lucian Sânmărtean (Al Ittihad-ARA)
Gabriel Torje (Osmanlispor-TUR)
Alexandru Maxim (Stuttgart — ALE)
Adrian Popa (Steaua Bucareste-ROM)
Alexandru Chipciu (Steaua Bucareste-ROM)
Florin Andone (Cordoba-ESP)
Claudiu Keșeru (Ludogorets-BUL)
Denis Alibec (Astra Giurgiu-ROM)
Constantin Budescu (Astra Giurgiu-ROM)
Crise estrutural nos clubes: Os principais clubes da Romênia estão caindo, aos poucos. As equipes não chegam mais aos grupos da Champions League, não conseguem passar muitas fases preliminares da Liga Europa. Os orçamentos são curtos, a estrutura é baseada em empresários únicos que detêm o poder sobre os clubes e investem o quanto querem, sem participação popular. A maior parte dos grandes times, que antes revelava os grandes jogadores, está endividada e vários deles nem existem mais (caso de Politehnica Timisoara, Arges Pitesti, Sportul Studentesc). O campeonato nacional é formado por clubes recentes e possivelmente efêmeros, um Steaua em crise de identidade e conflitos com o Ministério da Defesa, um Dinamo em insolvência financeira e um CFR Cluj perto da falência.
Resultados enganosos: OK, a Romênia não perde uma partida desde 4 de junho de 2014, quando foi derrotada pela Argélia por 2x1, de virada. E a derrota para a Argélia já é reveladora, ainda que o time tenha feito uma campanha heróica na Copa do Mundo depois. Mas segue os outros jogos desde então (todos com atuações burocráticas e defensivas):
Grécia 0x1 Romênia
Romênia 1x1 Hungria
Finlândia 0x2 Romênia
Romênia 2x0 Irlanda do Norte
Romênia 2x0 Dinamarca
Romênia 1x0 Ilhas Faroe
Irlanda do Norte 0x0 Romênia
Hungria 0x0 Romênia
Romênia 0x0 Grécia
São seis jogos sem tomar gol. Que bom, a defesa está funcionando. Mas vencer Ilhas Faroe só por 1x0, mas a falta de gols marcados nos três últimos jogos contra times de médio e pequeno porte só prova que não tem como a Romênia ser considerada melhor que o Chile, por exemplo. Melhor que o Uruguai, a Inglaterra, ou mesmo melhor que Argélia ou Gana. Ou melhor que mais da metade das seleções que disputaram a última Copa do Mundo.
Na Euro 2008, a Romênia caiu com França, Itália e Holanda no Grupo C. As finalistas da Copa de 2006 + Holanda. Empatou em 0x0, 1x1 e perdeu por 2x0, respectivamente. Tinha um time muito melhor. Acabou o ano ranqueada em 21º
.A Romênia voltará à Eurocopa, merecidamente, apesar de todos os defeitos que sua seleção e seu futebol possam ter. Teve a sorte de pegar um grupo ridiculamente fácil e faz o básico do básico. Mas não será surpresa se perder todas as partidas com goleadas apoteóticas e se for um saco de pancadas até para equipes medianas. Esta é a seleção que é a 7ª colocada no ranking mundial segundo a entidade máxima do futebol, com um time medíocre, um técnico desatualizado e um futebol interno em pedaços.
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